NAVEGANDO

De vez em quando eu vejo uma coisa ali, outra ali, sobre um tema que vem cada vez mais chamando a atenção das pessoas.  Por que o tempo parece passar mais rápido?   Realmente, a vida, apesar de aparentemente longa em vista da maioria dos outros animais, é rápida sim, mesmo que atinjamos idades bem avançadas, acima dos 80 anos, ainda assim, parece que tudo correu muito rápido.

Acontece que, segundo levantamentos, é um tempo variável para cada um.  Nós é que achamos, por diversos motivos que o tempo passa mais rápido ou devagar, conforme uma teoria de Einsten sobre a relatividade do tempo.

Mas outro dia, conversando com meu amigo "O Zé" , fiquei sabendo que nós é que somos inteiramente responsáveis por essa aparência.  Quando passamos a fazer planos, estipular metas, almejar objetivos, enfim, quando ficamos focados em realizar alguma coisa, esquecemos completamente ou quase completamente, de viver o presente.  Fácil observar isso na infância, quando não tínhamos planos nem objetivos que não fossem sermos grandes.   Um dia durava muito teoricamente.  As semanas, os meses, os anos, se passavam lentamente.  A partir do momento em que começamos a estudar, a planejar, a estipular prazos e metas, enfim, quando às atingimos, frequentemente não nos saciamos e ainda buscamos outras maiores e mais distantes.  Essas junções de novos desafios nos impedem de usufruir o momento,  ficamos só focados em atingir o quanto antes os objetivos estabelecidos por nós mesmos, ou impostos pela sociedade.

Algo parecido como o exemplificado no filme "Click" protagonizado por Adam Sandler ( assistam ).  Nesse filme, o personagem consegue um "controle remoto" universal que possibilita a ele controlar o tempo e só viver os momentos em que já obtém suas metas, sejam elas quais forem.  Esquece-se da família,  dos amigos, da vida enfim.  A partir de determinado momento, o controle remoto passa a controlar tudo por conta própria subtraindo dele toda a existência até que se encontra no fim da vida tendo desperdiçado toda ela,  somente em conquistar objetivos próprios ou impostos.

Assim fazemos com nossos controles remotos.  Saímos da infância, começamos a estudar e, a partir de então, entramos nesse turbilhão remoto até quase o final de nossas vidas.  Quando finalmente chegamos a um determinado ponto, então continuamos fugindo do presente, alimentando a tecla "nostalgia" relembrando então o passado.  Sem mais objetivos, sem mais metas, só nos resta continuar fugindo do presente e viver no passado.  Isso parece ser completamente natural, quase todos somos assim, com raras exceções, talvez no meio budista.

Assim somos, porque assim as sociedades nos cobram.  Caso não nos formatemos à ela, então somos imediatamente rotulados de alguma forma, já que fugimos ao padrão considerado normal e aceitável.

Já dizia César,  "...-navegar é preciso,... viver, não é preciso" !

É o que fazemos... navegamos!

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