PLANO DE VOO

Foi só mais um acidente dentro dos inúmeros já ocorridos.  Só que a imprensa movida à sangue insiste em dramatizar ao máximo e explorar ilimitadamente o fato.  Tudo bem, até certo ponto é louvável porque nos informa da precariedade regional de algumas companhias pequenas, embora até as grandes também devam esconder alguns podres que, como sempre, acabam por serem descobertos da pior maneira e com os maiores custos.

Pane seca.  Essa é a provável e, por enquanto, a única explicação.  Tudo leva a crer que o piloto deliberadamente jogou roleta russa com todos à bordo, inclusive ele próprio.

O importante era cortar custos.   Até agora o que se apurou, foi de que o pessoal da companhia insistiu num plano de voo quase suicida !   Não havia margem de segurança, não havia espaço para margem de manobras, tudo foi feito "nas coxas"  como se costuma dizer.

Mas como todo acidente aéreo tem uma sequência de erros cometidos, esse também não foi diferente.
Por estarem acostumados a fazer exatamente isso durante algum tempo e nunca ter ocorrido qualquer problema, continuavam insistindo.  Pra que gastar mais, não é mesmo?

Depois as autoridades, sabe-se lá por qual motivo, permitiram sequenciar o ato mesmo com um plano de voo absurdo.

Todos nós já confiamos em cálculos e acabamos por ter que reconhecer o erro.  Eu mesmo já fiquei muitas vezes sem combustível.  Outros não, mas já devem ter ficado sem saldo, ou sem dinheiro para alguma eventualidade, enfim, é da natureza humana essas, digamos, distrações propositais, ou erros de cálculos.  Só que, ficar sem combustível num carro, não vira uma tragédia, já em pleno voo.

Agora dá pra entender os minutos de sufoco por que passou o piloto antes de morrer e levar com ele mais 70 pessoas.  Ele não podia pedir emergência porque isso seria notificado e todos saberiam que tinha combustível restrito o que geraria, com toda certeza, uma multa milionária e desmontaria a empresa.  Ele então tentou enrolar.  Não imaginava que poderia haver esse congestionamento na hora do pouco com mais aeronaves disputando a vaga.  Para ele, seria como das outras vezes, simplesmente pousar, abastecer o mínimo suficiente e continuar a vida.   Só que não!

Desta vez...não!

Naqueles instantes suando frio e tentando manter a calma e a lucides olhando os instrumentos piscando amarelo enquanto não podia confessar a real situação para a torre, deve ter dado uma ligeira visão do inferno que já começava a lhe abrir as portas.
Pelo visto, pensou mais nas consequências econômicas do que nas vidas de todos que transportava...ao menos por alguns minutos preciosos.  Quando resolveu ouvir o anjo, já não havia mais tempo...

Os motores engasgam, os instrumentos se apagam, as luzes cessam, e a luz vermelha do marcador de combustível  é a única acesa enquanto a frente da aeronave embica no vazio escuro...

Sua última palavra...

...Jesus...!

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