LEMBRANÇAS EM SÁBADO DE CHUVA

Ah quando chega a época de passar por lembranças tão gostosas. Nada melhor que lembrar das "meninas" quando ainda eram pequenas. As duas cresceram, mas pra mim, continuam do mesmo jeito, só que com roupagem maior. Apesar de terem passado dos vinte, ainda me comunicam e, às vezes, até pedem para ir a algum lugar se for meio distante. Acho bonito isso.
Assistindo algumas passagens filmadas delas ainda pequenininhas com aqueles vestidinhos que a avó fazia e que elas achavam o máximo. Cabelos desgrenhados, carinhas sujas de terra, correndo descalças, rindo alegremente, pronunciando palavras de forma maravilhosamente errada e que, detestei quando às corrigiram.
Qualquer objeto se torna um brinquedo melhor do que os adquiridos em lojas. Ficavam horas sentadas de frente para a janela se imaginando em uma nave, ônibus, automóvel, sei lá. A imaginação correndo descontrolada para todas as direções, o impulso incontrolável de estarem em todos os espaços possíveis. É isso...impulsividade, imaginação e descontrole. Acho que explica bem a fase da infância.
Os movimentos do corpo desconexos, juntam-se às emoções que afloram com a maior facilidade. Competitividade sim, embora as duas sempre estivessem  unidas, o que graciosamente mantém até hoje!
Infelizmente, querendo ou não, nós crescemos. Abrimos espaço e criamos condições para que outros seres também venham e desfrutem suas épocas. Alguns nem tanto. Deve haver algum tipo de justiça universal sendo aplicada, senão, seríamos todos iguais com os mesmos aspectos de saúde e estado social.
Os problemas vão crescendo junto e mudando. Antes, eram aquelas febres que tiravam o sono. Hoje, são os horários que às vezes não cumprem e esquecem de que existe o famoso celular para avisar do atraso.
Antes, eram os choros pelas pequenas brigas por motivos infantis. Hoje, os relacionamentos rompidos que doem, mas que o papai procura sempre ouvir, entender e conversar. Ouvir, tudo bem, entender, já é meio difícil, porém, conversando dá pra se encontrar uma saída para ganhar um tempo ao menos.
Meninas costumam ser mais difíceis de se cuidar do que meninos. São mais inteligentes, tem mais sensibilidades. Constroem suas futuras e já famosas intuições desde a infância. Hoje, me arrependo de promessas não cumpridas. Da casinha de madeira que acabei não fazendo. Dos passeios que não deram certo, enfim, existem muitas coisas que se perderam e nunca mais voltarão embora sempre se possa ter uma nova chance com as futuras netas.
Mas os filmes estão lá. Natais passados, aniversários, pequenas confraternizações, enfim, diversas oportunidades em que aquelas baixinhas pareciam estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
Essa, com certeza, é uma das minhas aspirações para quando desencarnar e me libertar do invólucro escravizante do tempo. Voltar e visitar todas essas épocas. Essas, e tantas e tantas outras que a encarnação atual me impede de lembrar.
Essas emoções não podem e não devem ficar guardadas somente nas lembranças.  Se elas existem, então é porque existirão para sempre...

...até além de nós mesmos...

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