E A ÁGUA LEVOU...O TEMPO LEVOU

-Corre, me ajuda aqui! Temos que levantar tudo isso rápído.
Ainda me lembro do desespêro coletívo no bairro onde morava desde os anos 70 em São Paulo. Bairro do Imirím na zona norte.
Morávamos em uma rua de terra, que se transformava em um rio, assim que as chuvas durassem um pouco mais. Meus pais levantando tudo o que podíam, e mesmo assim muito era perdido no aguaceiro, seguido de um lamaçal pútrido insuportável.
Vizinhos chorando, idosos que perdiam a vida presos dentro de casa, não dá para resumir em poucas palavras todo o sofrimento daquela gente.
Eu, e meu irmão éramos bem pequenos, e ajudávamos no que era possível. Não tínhamos uma exata noção do que ocorría, vísto até certo ponto achar até pitorêsco a sala feito uma piscina. Mas com o passar do tempo, e as constantes repetições, o quadro se tornava mais cruel, e real.
Tudo isso há mais de 40 anos atrás. Sempre após os "dilúvios" vinham as promessas políticas. "Nem me lembro quantos vereadores foram eleitos" em cima das mesmas promessas. A principal, era a canalização do córrego próximo. Só conquistaram isso décadas depois, quando já não morávamos mais lá.
Assisto o drama...(mais um) desse povo do nordeste com a mesma ansiedade que assistía naquela época.
Percebo "revoltado" o quanto buscam ganhar em dividendos políticos os excelentíssimos senhores que assistem esse espetáculo.
Quando se é jovem, e se perde tantas e tantas vezes o que leva-se anos para conquistar, até é compreensívo, mas quando assisto pessoas idosas que perderam tudo...tudo mesmo, em questão de minutos, é de cortar o coração. Embora tenham sobrevivido, coisa que alguns não conseguiram, o recomêço tardío, é sempre mais amargo.
Me revolto por não estar em condições de ajudar. Mais ainda em ver que outros semelhantes estão buscando "ganhos" através de saques, ou aumentos abusivos de preços.
Agora fico sabendo também de mais roubos.
Incrível como se transforma o ser humano quando mais se necessita de uma mudança benéfica.
A famosa crênça na "lei de Gerson", aliada ao "farinha pouca, meu pirão primeiro", já dá uma pequena noção do espírito coletivísta do povo quando é atingido dessa forma.
Embora os que estejam fora desse drama, demonstrem sensibilidade suficiente para ajudar, os que estão envolvidos, acabam por se adaptar a lei da selva.
Precisamos então ajudar em duas frentes. A que socorre as vítimas, e a que pune os oportunístas.
Isso não é coisa só de brasileiro, sulísta, nordestino, ou qualquer outra raça.
Isso é coisa natural do ser.
É lógico que em países onde a consciência é maior, o problema tende a diminuír, mas no básico acaba sendo assim mesmo.
Talvez uma pitada do que o falecído Saramago tentou dizer com seu "ensaio".

Com certeza ainda temos muito a evoluír...

Comentários

  1. Pois é meu caro Robson.
    Mas, desta vez o Lula falou algo muito importante durante sua visita a Palmares, em Pernambuco. Ele lembrou o óbvio; ''vamos resconstruir, mas em local que não enche e longe da margem do rio''. Viu só? É fácil, não é?
    É fácil e é também uma lição aos ecologistas, pois, como se viu, a área afetada não sofre com o problema do lixo nos bueiros e, não há sinais de degradação ambiental.
    Um determinado local urbanizado que sofre com enchentes, certamente, enchia antes, só que, quando desabitado, enchente não era problema.
    A urbanização agrava, mas não cria o problema.
    As construções prometidas pelo Lula até poderiam ser feitas no mesmo local, desde que, aterrados e levantados acima do nível do rio quando cheio.
    É caro, este é o problema.

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