APENAS...

Uma imagem corre o mundo chocando todos os sensíveis e até os insensíveis devido a dramaticidade impregnada e todos seus significados.
O pequeno Aylan Kurdi de apenas 3 anos, jaz na areia.  Seu sofrimento já terminou. Assim como mais uma chance de mostrarmos que evoluímos como seres humanos.  A própria natureza se recente de uma imagem como aquela.  O próprio mundo se apequena, se esconde em vergonha, se culpa até pela simples existência de fatos assim.
Apenas um menino.  Existem também meninas, homens, mulheres, idosos, enfim, ideologias religiosas e políticas vão juntando os apenas singularmente menosprezando o entendimento e a compreensão mundial.  Eles sabem que, enquanto todos fogem dessas notícias e buscam suas efêmeras felicidades não tendo tempo, nem interesse, nos destinos de outras tribos que não as deles próprios,  os apenas, continuarão a acontecer.  Apenas mais um aqui, mais outro ali, mais outro acolá, e assim caminhamos.  Mesmo que esses apenas se transformem em números maiores como "apenas algumas dezenas...apenas algumas centenas...milhares, "!!!  Que diferença faz agora para o silêncio sepulcral à volta do pequeno Aylan?

É certo que não podemos nos cobrar atitudes porque, muitas vezes, nem sabemos como agir de fato.
Mas também é certo que devemos entender a origem do problema. Precisamos entender os acontecimentos que levaram aos resultados e não somente lamentarmos esses resultados. Não é uma questão de agir, mas de reagir.  A origem está no crescimento de um estado assassino sendo imposto nos territórios do Iraque e da Síria.  Milhares de "apenas" estão tentando salvar as próprias vidas diante de um monstro que cresce e lhes devora tal qual o pior dos pesadelos possíveis de se imaginar.

O autointitulado Estado Islâmico com seu sonho de poder e transformar toda aquela região num Califado onde seus viventes pertenceriam a comparativos evolutivos anteriores a Idade Média não poupam desumanidades quaisquer que sejam seus graus.   Hitler se escandalizaria com tamanhas bestialidades.  No entanto, ainda encontramos "Chefes de Estado" dizendo que, ao invés de lutarmos contra essas forças, deveríamos "dialogar" com elas.

Enquanto pensamos num "discurso" de diálogo, outros "apenas" continuarão surgindo.  Quantos mais?...

Dorme com Deus meu pequeno Aylan...
Me desculpe por não saber o que fazer nem como fazer algo por você, pela sua família, por todos seus irmãos que sofrem nas fronteiras orientais e ocidentais desse mundo mesquinho.

A culpa é minha também!!!!   Vou guardar teu sorriso exposto em fotos que vi, e para minimizar um pouco meu sentimento de culpa, reproduzindo uma imagem que achei mais adequada para aquela posição em que o Mar tão paternalmente te colocou na areia com muito carinho.

Nos conheceremos então, um dia....em esferas melhores.



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