ENQUANTO NÃO CHEGA O VERÃO

Eu deveria estar feliz em ver uma mudança começando.  Eu deveria estar exultante em perceber o quanto estava certo em sempre anular meu voto como forma de protesto e não ter sido quase um cúmplice de tanta maldade que fizeram e ainda fazem com o nosso país.  Eu deveria estar alegre por enxergar algo que muitos não conseguiam.  Mas, enfim, não estou não!

Sempre que compareço à urna e anulo meu voto, acabo por me sentir mal.  Ontem não foi diferente.  A A única mudança substancial que presenciei, foi o vazio naquela escola.  O desinteresse dos que chegavam, votavam e saiam.  Da falta de conversas alegres, das crianças brincando enquanto os pais exerciam sua cidadania.  Não que eu não tenha exercido a minha, sempre exerci, porém, na forma de protesto, mas isso já é uma história antiga e já tenho postado muito a respeito.

O Partido dos Trabalhadores foi o maior derrotado.  O mito, o sagrado ungido, o monstro sagrado da política brasileira, aquele que ameaça sempre voltar se não pararem de persegui-lo, não conseguiu, sequer, que seu enteado se elegesse como um simples vereador.  Sinal dos tempos.

Porém, não fico como muitos em alegorias e festividades comemorando o fim melancólico e merecido de uma legenda.  Não trato política como futebol onde torcedores adoram humilhar seus adversários.
Prefiro o silêncio contemplativo daqueles que só observam e constatam tristemente que ainda tinham razão quando se desencantavam com essa mesma política.

A militância petista foi encantada, hipnotizada, conduzida, enfim, à um limbo de percepções errôneas e...Meu bom Zé...como eu queria estar errado.  Como eu gostaria de me desculpar com tantos que afrontei sem intenções, mas com convicções às quais eles não podiam perceber pela neblina causada pelo encanto.

Não... não estou feliz..., porque sei que continuarão a seguir certas cartilhas, mesmo os que foram eleitos, e o nosso tão precário Sistema Político, continuará mais algum tempo com seus vícios, suas maracutaias, enfim, até que os últimos possam finalmente entender o que realmente está se passando não pelo "hardwer, mas pelo software" do povo.

A sensação que tenho é de que estamos no fundo do poço, mas encontramos um alçapão e, abaixo dele um grande espaço vazio onde, depois dele, uma superfície de areia-movediça aguarda quaisquer atitudes menos pensadas.

Não comemoro vitórias nem derrotas alheias.  Isso me entristece profundamente.  Meu desejo era que todos fossem felizes, uns mais, outros menos, porém, todos de alguma forma pudessem cultivar seus sonhos.

Agora o que vejo prestes a acontecer, são fatos de pura sabotagem mesquinha como já vem ocorrendo.  Boas ou não, as reformas que estão tentando colocar, ainda que a passos lentos e precários já são a tentativa de mudar algo que está ruim a tempos.

Todas as reformas, as modificações, os aperfeiçoamentos devem vir no sentido dessas mudanças.  Deixar como está só nos fará cair mais rapidamente na areia-movediça.

Justas ou injustas, serão ou não somente a curto prazo, mas para que tenhamos, afinal, algum prazo a mais.

Voltou a chover.  Mas uma chuva lenta, em salvas, com um céu cinza e frio.  Eu costumava chamar aqueles momentos durante as chuvas de verão em que, de repente o sol libera seu brilho ofuscante por entre as nuvens interrompendo uma grande tempestade de "Sorriso de Deus".  Não estamos no verão ainda, mas bem que gostaria de assistir um sorriso desses.  Bem que merecemos presenciar isso.

Logo chegará o verão.

Mas o bom Zé poderia dar ao menos uma piscadinha, não é mesmo!


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