HOLOCAUSTO ENTOMOLÓGICO

Embora o assunto do momento seja sobre as recentes pesquísas eleitorais, vou novamente deixar isso de lado, até porque além de desgastante e improdutívo, discutir isso para mim, é como discutir sobre onde ficam os pontos cardeais no espaço.
Sigo então, com o lado "ecológico do blog".

Me lembrei nesses dias sobre o desprêzo que as pessoas tem pela vida animal.
Sei que todos gostam, e muitos amam os bichos. Adoram aqueles sêres peludinhos, fofinhos, e agradáveis como o "bingo", um boxer bobão que está nesse momento fuçando em baixo de mim, buscando chamar minha atenção!
Mas não é desses que estou escrevendo.
Quero citar os outros sêres mais...digamos "minúsculos" que aceitaram dividir o planeta com a gente.
O que as pessoas costumam fazer quando estão em casa, e descobrem uma aranha, um escorpião, uma lacráia, ou até uma simples barata?
A resposta é "A solução final", que assim como os nazístas aplicavam aos seus prisioneiros, muitos recorrem sem compaixão aos chinelos, pedaços de pau, ou qualquer outro objeto de que possam se armar, e "heróicamente enfrentar" o cruel animal.
Sei dos ríscos a saúde que muitos desses minúsculos bichinhos representam, mas sua presença na residência não é normal.
As vezes uma boa limpesa resolva o problema, ou então que se descubram os motivos da invasão.
No entanto, nada justifica quando estamos no mato (ou seja no território deles) e façamos o mesmo.
Cerca de uns 25 ou 30 anos atrás, eu bebendo com alguns amigos em um clube, durante a conversa percebí uma formiga passeando pela mesa.
Estava pesquisando os farelos de sanduíches que havíam caído por alí.
Era um clube de campo, e portanto, cercado de verde por todos os lados.
Levantei discretamente a mão, e posicionando o dedo sobre a formiga, fiquei imaginando e enorme poder que tinha naquele momento sobre ela. Um poder de vida ou morte. Bastava que eu descesse o dedo, e sem sequer pressionar, transformaría aquele inseto, em farelo.
A questão é...EU TINHA MESMO ESSE PODER?
Depois de alguns segundos em que até me distraí com os assuntos do bate-papo com os amigos, resolví dar um "soprão" discreto, e deixar a formiguinha seguir em paz.
Depois disso, virou uma manía. Mesmo se andando em uma trilha, encontrasse uma cobra (venenosa ou não), eu procuraría me desviar, ou jogá-la para o lado com uma vara.
Aprendí a ter respeito por todos os sêres.
O grande Mahatma já dizía """ -se não temos o poder de dar vida a mais ínfima das criaturas, também não temos o direito de tirá-la""".
Sabe que o "carequinha" tava certo?
É certo que tive algumas recaídas como no caso de uma jaracuçú que me deu o bote e quase me picou, fazendo com que revidasse, e estraçalhasse ela com um pedaço de pau.
Embora me arrependa hoje em dia.
Minhas filhas, e a minha ex-esposa me criticavam muito por ao invés de matar uma barata, eu simplesmente a tocava para fora de casa.
E olhem que por incrível que pareça, elas não voltavam.
Na minha antiga fábrica, as cobras pararam de aparecer quando dei ordems severas para que não matassem nenhuma, e sim jogassem para o mato.
Mas as "armadeiras" continuavam a aparecer, até eu descobrir que andavam matando elas.
Bastou pararem o massacre, e elas como que por um entendimento universal, ou psicossomático astral, ou sei lá o que, também desapareceram. Muito raramente eram encontradas depois.
O interessantemente terrível, é essa necessidade de matar. Bastou ser asqueroso, venenoso, ou aparentemente repulsívo, e o pobre ser vivênte e dinâmico, é condenado a virar farelo.
De pensar que em situações extremas, muitos ja salvaram alguns seres humanos sacrificando suas vidas para alimentá-los.

Quando encontrar um próximo minúsculo ser vivente, pense nisso!
Procure pensar primeiro no porque de ele estar na sua casa, ou de voce estar na casa dele!
...e se isso é motívo para a "condenação" muito mais provável dele, do que da sua!

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