O POVO DE MERCADO

Há alguns anos atrás, participei de um mercado chamado "Marketing de Rede", era quase uma novidade no Brasil. Já existia uma tal Am Way  e esse seguia os mesmos passos, só que com produtos nacionais voltados à cesta de alimentos, não a básica, mas uma cesta mais elaborada, digamos assim.

A princípio, achei o negócio interessante. Fazia até algum sentido eliminar os atravessadores e distribuir os valores entre os participantes. Porém, a maldita política que reinava e seu consequente extremismo, eram para dar um fim indiscutível no negócio.

Galguei alguns níveis até chegar à uma boa posição. Posição essa que permitia que participasse de algumas reuniões onde estratégias eram definidas.

Numa ocasião, um figurão da rede viria palestrar aqui na cidade. Nos reunimos na casa de um amigo também bastante qualificado na organização e fiquei ouvindo os procedimentos que iriam adotar durante a palestra em um local bastante caro aqui na cidade. Uma sala imensa e luxuosa nas dependências de um grande hotel.

Este senhor que iria palestrar e incentivar novos distribuidores, nos mostrou seus pequenos truques.

Teríamos que alugar uma "limousine" para que ele chegasse em grande estilo! Lá pelas tantas, depois de elogiar o "brasileiro" provocando um sentimento ufanista massageador de egos, iria então apelar para às lágrimas forçando uma emoção que não sentia.

Eu ali quieto, ouvindo tudo e já com todos me cuidando para não CONTESTAR nada do que aquele senhor dizia. Todos já me conheciam, sabiam o quanto eu...digamos...atrapalhava fazendo meus questionamentos interrompendo diversas reuniões, mas só não me expulsavam do grupo por causa da minha rede que crescia sempre de forma bastante consistente. Passei a ser um chato inconveniente, porém, necessário.

Não aceitava e discutia constantemente o tal sistema implantado onde a mentira, e a prepotência, aliadas à ganância, eram disfarçadas em falsas humildades e pretensas humanidades.
Tudo passou a ter um significado de falsidade. Eu quis sair, mas me convenceram a ficar, até porque muitos eram meus amigos. Fiquei então para ver até onde aquilo iria.

Me calei e comecei a observar.

Perdi aos poucos a empolgação do início, e já não mais apresentava minhas palestras para novos distribuidores...acho que perdi a fé na coisa!

O pior, é que o negócio é MUITO BOM, porém, o trato que davam a ele, a forma como desenvolviam, me dava nojo!

Exatamente como ocorre nos meios políticos, quer dizer, acho que na política é bem pior.

Existiam regras sim, mas sempre eram mais para causar um falso sentimento puritano do que propriamente qualquer outra coisa.  Mesmo assim, eram constantemente manipuladas.

A mentira, a arrogância, a omissão, estavam quase sempre presentes, o que servia para justificar o bem maior para todos, ou seja, devemos enganá-los até certo ponto, para que todos possam conquistar o seu espaço.  Isso pra mim é uma tremenda estupides! Uma enorme palhaçada que vejo sendo usada explicitamente na política.

Havia uma certa "adoração", ou culto à personalidade do "criador" do negócio. Diziam que ELE era um ILUMINADO...Qualquer coisa que aquele imbecil dizia, as pessoas aplaudiam de pé e com lágrimas nos olhos.

Eu ficava em silêncio no meio da multidão hipnotizada por aquelas palavras, por aqueles gestos por certo, cuidadosamente ensaiados em algum lugar antes de qualquer apresentação.

Parecia mais um culto com um pastor incitando suas ovelhas.

No fim, o tal ILUMINADO, o tal  GRANDIOSO, o verdadeiro BUDA do negócio que deveria ser sempre adorado, idolatrado e erguido no maior dos altares da admiração, aprontou um "malfeito" tão grande, que o negócio inteiro foi pra casa-do-caralho, levando milhares com seus sonhos alimentados junto.

Sei que o negócio em si é bom!  Sei que existem empresas com alguma seriedade dentro desse segmento, sei que no Brasil, esse tipo de negócio não encontrou muito respaldo, não estou condenando o Marketing de Rede por causa disso, somente os tais métodos, as tais adorações, a confiança depositada naqueles que não mereciam bastando para isso observar seus gestos, suas palavras, suas entonações que facilmente encontro naqueles que pensam que nos representam apenas porque lhes demos (eu não),o voto!


Votar, na minha opinião, é nada mais nada menos, do que entregar um cheque assinado e em branco para esses senhores.  Os valores, eles colocam depois...

...e geralmente são altos...muito...muito altos!!!!

...depois, é só eles nos emocionarem com suas lágrimas...

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