VACAS GORDAS, VACAS MAGRAS

Depois do rebanho ter finalmente alcançado alguma maturidade. Ter ganhado peso e alguma expressão em tonelagens, fruto de trabalhos feitos por diversos veterinários e seus diagnósticos mágicos, a manada parece ter conquistado seu espaço nas planícies verdejantes.
O leite e a carne que fornecem, foram valorizados; não pela qualidade em si, mas pela queda repentina e acentuada de outros rebanhos! A condução do gado foi mantida, porém, mais uma vez os veterinários foram substituídos de forma relapsa. Muitos nem eram veterinários, mas sim, borracheiros, sapateiros, enfim, qualquer outra função não compatível, mas de prêmio pelos apoios à chegada dos novos proprietários da fazenda.
Como primeiro resultado, a infestação de "parasitas" em todo o rebanho que, apesar de forte e vistoso, começa a sentir os efeitos de tantos carrapatos em seu pobre couro. Sugam-lhe as energias de forma consistente e metódica. Os resultados, como não poderia deixar de ser, começam a aparecer.

A produção de leite começa a declinar, o peso do rebanho despenca a olhos vistos, o pasto verdejante começa a rarear, mas a propaganda ainda demonstra sua utilidade quando usada de forma ostensiva, pragmática e insistente.
Os parasitas aumentam; já há diversos focos de bernes estragando couros íntegros, e os veterinários sapateiros tentam corrigir fazendo "emendas" inócuas e paliativas receosos de que acabem perdendo o pouco controle que tem.
Por outro lado, as outras manadas se recuperam lentamente. Vitimadas por erros anteriores, começam agora a se recuperar, embora de forma lenta, difícil, porém, responsável.
O leite começa a escassear junto com o peso.  A carne idem. Não há mais como culpar possíveis tratamentos dos veterinários antecessores.
Assim segue a manada.  Alguns poucos cães ladram, mas ela segue rumo ao deserto. Segue impassível, resignada. Cheia de parasitas, cheia de ferimentos, mas ainda caminha sem atentar para os alertas e protestos dos cães que ladram.
Nessa situação. Nessa condição física de debilitação ainda seguem deixando os caminhos verdes para adentrar ao deserto árido e pedregoso.
Dizem que seguem felizes, alegres, retumbantes e que, por alguma razão, gostam dos vaqueiros que foram substituídos por outros que os deixam mais livres, soltos enquanto ficam em rodinha jogando dados.
 Conquistaram, emfim, o sossego e a liberdade de desfrutar a vida selvagem sem estarem adaptados à ela!
Os cães ladram e o cortejo segue rumo a felicidade eterna!!!

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