ANTES DO POR-DO-SOL

Em meio a peças, e ferramentas. Um mecânico de um lado, outro entretído com alguns ajustes, mais um funcionário reticente em ir embora, e os apontamentos do parceiro de negócios, resolví sair desse redemoínho que já estava cansatívo por demais. Caminhei para o lado oeste do amplo espaço aberto da fábrica. Novamente lá estava ele cumprindo mais uma jornada. Descendo lentamente rumo ao seu eterno esconderíjo no horizonte. Não sei exatamente a que horas nesse dia. Soube há pouco, que foi no dia 21 do ano passado. Nesse dia, em algum lugar entre a pequena cidade de Pirajuí, e Bauru, uma pessoa querída (muito querída) voltou para casa. Para a casa que todos nós constantemente temos que retornar. Mas não foi sem antes...(Talvez alguns momentos antes apenas), dirigir a sua prima um pedido para não esquecer de me avisar. ...Então...E só então,partiu! Não vou postar mais nada sobre esse assunto em nenhum outro lugar. Somente aqui nesse canto. Aqui ao menos sei que não vou incomodar mais ninguém. Que não vou interferir em momentos alegres, e de expontaneidade. Não irei esfriar comemorações, e nem relembrar acontecimentos dolorosos. Mas lá se vai ele rumo ao final de sua lenta descida. Aos poucos...Até sumir. Acendo um cigarro, e me sento em uma pilha de tijolos para contemplar aquela paisagem que parece se formar em tons avermelhados. Me lembram contornos do mar quando descia a serra de Santos, e avistava o litoral ao longe. Engraçado como sempre vejo isso logo após o por-do-sol. Meus pensamentos foram para ela. Para aquela que TEM o nome de minha mãe. Para ela, que em tão pouco tempo, que pode ser bem resumido em apenas 30 dias, me causou uma profunda impressão. Sentí então uma briza do meu lado esquerdo. Vinda portanto do sul. Não foi uma briza fria. Foi quase como um afago. Alguns segundos depois, uma súbita comemoração às minhas costas. Estava finalmente resolvido o problema mecânico que me paralizou essa semana. Dei meu ultimo trago, e joguei fora o cigarro. Voltei então para junto dos outros, que comemoravam o funcionamento daquela enorme prensa mecânica. Nem perceberam minha escapada. Nossos caminhos continuam seguindo. Nossos rumos, apenas se tornaram diferentes. Embora eles converjam para o mesmo lugar, os tempos serão outros. Os capítulos terão que ser reescrítos, nessa grande e eterna história sem fim. Então. Quando todas as brizas forem interrompídas. Quando todas as borbolêtas amarelas não mais existírem. Talvez tenha chegado então, a hora de também voltarmos para casa. ..."nossa verdadeira casa" Nosso verdadeiro LAR! Um beijo Aninha





"What though the radiance
which was once so bright
Be now for ever taken from my sight,
Though nothing can bring back the hour
Of splendor in the grass,
of glory in the flower,
We will grieve not, rather find
Strenght in what remains behind"

Willian wordsworth (1770-1850)

Comentários

  1. É... coisas inexplicáveis da vida, que podem até nos fazer sentir muito pequeninos diante de seus desígnios, mas que, de forma alguma, consegue ser mais forte do que os sentimentos. Esses sim unem as pessoas verdadeiramente, estabelecem a eternidade e impedem qualquer separação. Abra-se às brisas reconfortantes, esses beijos invisíveis confortam a nossa alma na saudade.

    Beijos

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  2. Oiê, tudo bem?
    Olha, estou te escrevendo porque recebi de um amigo um selinho pra ser exposto no blog. Esse selinho vem com algumas regrinhas, entre elas a de indicar 10 outros blogs que o receberão. Entre os que eu escolhi está o seu, pois o admiro demais. Se você se interessa por expor esse selinho, entre no meu blog, copie o selo e conheça as regrinhas, tá bom?
    Meu blog: http://jornalizta.blogspot.com/
    Qualquer coisa, também pode entrar em contato pelo meu e-mail: jornalizta@gmail.com.

    Um beijo!

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