O CARÁTER NO MERCADO

Certa vez, conversando com minhas filhas sobre trabalho, lembro do que disse à elas sobre nunca se "prostituírem". É lógico que não me refería ao emprêgo "ao pé da letra" do verbo em questão. Acho que elas entenderam a mensagem.
Exístem muitas formas de prostituição, que não apenas a pura e simples venda do corpo. Basta que voce faça aquilo que não gosta de fazer, a troco de algo.
Muitas vezes, as situações que enfrentamos na vida, nos obrigam a engolir certas opiniões, códigos, sonhos, idealísmos, conceitos, ou puramente nossos sonhos.
São poucas as exceções.
Existem os mais fracos, que diante da sociedade, se apresentam como fortes e bem sucedídos, mas que perante eles próprios, sabem o que são se recolhendo em vergonha.
Mantém seu retrato escondido, tal qual o personagem "Dorian Gray" mantinha na lenda.
Ele, é que envelhece, entristece, e apresenta todos os defeitos que seus proprietários jamais querem que apareçam.
Vejo muitos jovens abraçando profissões nas quais simplesmente detestam, mas que o fazem por absoluta falta de convicção, ou de outras escolhas.
Preferem apenas almejar o "status" que tal profissão possa lhe oferecer, e dessa forma se "projetarem" na sociedade.
Ser médico, é melhor que ser policial, mas a sociedade precisa de policiais.
Assim como precisa de bons professores, esses sim, verdadeiros heróis em vísta do reconhecimento, e remunerações que recebem.
Nosso país, precisa urgentemente investír em conceitos mais concretos, e que devolvam valôres que foram sendo perdidos durante seu avanço.
Devolver as pessoas, seus sonhos, que foram interrompidos pela prostituição em vísta de condições sociais infelízes, ou até incutídas pelo "padrão de comportamento mais aceitável".
Muitos países europeus, já descobríram isso. Colocam em sua comunidade, uma idéia de valôres, mais equilibrada.
Não importa o que voce quer ser, desde que voce "ame" aquilo que faça. Mesmo que seja uma profissão considerada humilde demais para as suas capacidades.
Afinal, tudo o que é feito com amor, é que tem valôr. Como voce gostaría de ser tratado em uma clínica? Ou uma escola? Ou até por qualquer outro profissional que não olhasse apenas o seu bolso, mas também o fundo dos teus olhos?
Já me disseram que todo mundo tem um prêço, o que não deixo de reconhecer. Apenas vejo que uns tem as etiquetas mais baratas, e outros prêços bem mais altos.
Não me excluo desse montante, já que o "mercado", é contaminador.
Mas tenho que reconhecer, que MEU JUÍZ, e meu CARRASCO, tem sido bem impiedosos.
Portanto, não tive uma resposta "absoluta" para minhas filhas. Tive apenas uma resposta que mais questionava, do que saciava sua curiosidade.
Não tenho mesmo respostas para tudo. Sou, e sempre serei, um aluno. Assim que vejo as pessoas, embora muitas não aceitem se enquadrar nesse conceito.
Nosso caráter, é nosso "quadro interior". Aquele que mantemos os nossos segredos mais íntimos. Aquele que procuramos ocultar, e algumas vezes "exibir".
Mas infelizmente, ou felizmente, (não somos "santos"), e mais dia, menos dia, nossas "etiquetas" também sofrerão desvalorizações de mercado!
Esse sim...Cada vez mais "DEFLACIONADO"!

Comentários

  1. Sabe, Robson,estive pensando sobre segredos um dia desses, do porquê de segredos.
    Por que temos vergonha disso ou daquilo? Ninguém pode julgar nenhuma circunstância em que uma situação aconteceu; ter vergonha ou esconder o quê?
    Talvez eu seja uma ingênua, ignorante, purista ou talvez porque eu nem me lembre dos segredos - meus ou alheios - e não consegui resolver esta questão.
    Não gosto de segredos porque me deixam vulnerável e prisioneira de alguém ou de algo, mas não sou diferente: também os tenho.Fiquei meio insegura com o que escrevi pois talvez não tenha sido clara.
    Só agora pude entrar no seu bloguinho, mas gostaria de visitá-lo sempre.
    Beijo,
    vó.

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