TIJOLO ECOLÓGICO - QUE MÁQUINAS USAR???

Tenho recebido muitas visitas na fábrica de pessoas interessadas em começar a fabricar o tijolo ecológico. Também, muitos, por e-mail, e alguns aqui no blog através de comentários nos textos sobre o assunto. As dúvidas são basicamente as mesmas; então, vou procurar resumir um pouco e tentar ajudar aqueles que querem produzir esse produto.

Devo lembrar que não sou do tipo que esconde segredos e também não me importo em que outros decidam fabricar também proporcionando assim uma concorrência, o que não verdade não é!  Meus concorrentes são aqueles que fabricam porcarias só "achando"  que vão ganhar dinheiro, quando na verdade acabam se queimando e me queimando por tabela.  Esses é que são meus concorrentes.  Já os que se decidem em produzir produtos de qualidade, na verdade, são até meus parceiros, já que ajudam na divulgação do elemento solo-cimento!

Algumas pessoas já me disseram que eu, às vezes, desanimo os pretendentes à empreitada.  Não é essa a minha intenção.  Deixo sempre claro que "fabricar módulos solo-cimento"  é chato, dispendioso, e é preciso gostar do que faz para não acabar caindo no famoso "jeitinho" tão comum aos brasileiros.  Se o objetivo for unicamente financeiro....então, fabrique blocos que também são ecológicos (não são queimados) e sempre vendem com mais facilidades ok?

Posto isso, aqui vão algumas considerações a serem pensadas;

Em primeiro lugar, é preciso saber para qual finalidade será o produto; para venda? construção própria? fornecer a parceiros construtores?  ou lavar dinheiro sujo?  (tem isso em tudo quanto é atividade) !

Se for para venda, então é bom saber de tudo sobre o produto que fabrica e o máximo possível sobre como aplicá-lo à obra.  Normalmente fabrico um excelente produto, mas o "encantado"  contrata um servente que "diz que é pedreiro"  e lá se vai a qualidade para o buraco.  É desesperador entregar um tijolo lindo, bonito e maravilhoso, e o comprador entregar para um desses pedreiros porcos que costumam resolver "tudo na massa".   Seria melhor nem vender.  Mas vá lá...!

É importante instruir o cidadão que irá pegar pela primeira vez que, o módulo requer um pouco mais de capricho e menos trabalho do que o tradicional.  Basta saber (e isso é uma obrigação), sobre três coisas básicas...."alinhamento, nivelamento e prumo."   O "pedreiro"  que desconhece um desses "detalhes", é tudo, menos um profissional.

Não é preciso ser um "especialista" também, como eu disse, basta saber os três itens acima.

Quando se produz apenas para venda, é preciso entender que o mercado para solo-cimento não é como o mercado para o bloco, o cerâmico, ou os comumente existentes.  Existem ainda poucas pessoas que entenderam a proposta do módulo-solo-cimento.  Não vá pensar que, basta começar a produzir, que farão filas para adquiri-lo!  Tudo vai depender de um trabalho bem feito e da resposta do equipamento que estiver usando.
Vamos supor que você adquira uma máquina hidráulica das mais simples.  Mais ou menos aí na faixa de uns 36.000,00.   Mais uma trituradora de uns 4.000,00.   Depois de um certo tempo, a máquina começa a dar problemas que simplesmente interrompem 100%  a produção....e aí?   Já se, ao invés disso, adquirir 3 máquinas simples manuais de 12.000,00,  e uma ou duas darem problemas, tua produção não para. Apesar de que os anos que utilizei as manuais me mostraram que muito....mas muito raramente dão quebra.  E se derem, uma simples solda resolve.  Elas tem uma vida útil menor, concordo, mas para aqueles que vão começar, eu sugiro que as utilizem.  Os módulos não saem lá com aquela aparência das máquinas que prensam em demasiadas tonelagens, nem precisam mesmo, basta um pequeno esforço para produzir um excelente tijolo.  Além disso, hoje em dia eu raramente vejo alguém comprar para construir aparente.  A imensa maioria pretende mesmo rebocar e texturizar ou aplicar qualquer coisa.  Vejam os novos condomínios e verifiquem por si só, quantas obras estão aparentes....?

Outro detalhe, é que, muitos fabricantes de máquinas querem te empurrar monstrengos que fabricam 10, 20 ou quem sabe 30 mil unidades/dia.  Ótimo!!!!....você tem mesmo como vender tudo isso?  Se não tiver, então tenha ao menos um espaço bem grande para estoque de produto, e lembre que esse estoque tem um custo ali parado.

Tenho utilizado já algumas máquinas hidráulicas e fico enlouquecido quando tenho que parar a produção toda por causa de um simples e maldito rolamento, ou um retentor que resolveu se dissolver.  Na hora que se perde óleo-hidráulico, também se percebe que o preço dele, para repor, é bem desagradável.  Isso ainda, quando o fabricante  se dispõe à prestar a assistência prometida em tempo hábil.

Não vou aqui citar nomes de empresas. Cada um que siga a própria lógica. Só estou buscando levantar questões que percebo o quanto são importantes para uma análise mais fria quando se entra nesse segmento de mercado.  Meu conselho é que, estudem com carinho suas necessidades e busquem parcerias de construtores, empreiteiros, ou empresários da construção que possam ajudar a dar vazão á sua produção.
Tendo feito isso, procurem equipamentos que não te deixem na mão e que atendam as reais necessidades dos tipos de obras a serem feitas.  Em seguida, um ótimo apoio estrutural como transportadores adequados, localização boa, manutenção preventiva, enfim, tudo o que geralmente costuma dar dor-de-cabeça nessa questão.   Na hora de adquirir teus equipamentos, veja se a empresa se dispõe a colocar num contrato tudo o que ela diz , e não apenas uma simples nota fiscal de compra. Contratar mecânicos à parte sai bem mais caro.

Lembre-se que, o que lhes mostram é sempre "teoria".  Uma máquina que fabrica 10.000 unidades dia, é porque projeta 1 unidade a cada 3 segundos. Já usei uma dessas e, na verdade, conseguia produzir menos da metade disso.  Não levam em conta o tempo para se limpar um excesso de massa que se acumula em diversas partes. Das esteiras transportadoras à própria prensa.  Não levam em conta as paradas para inspeção, as limpezas constantes, enfim.  Fazem a medição do tempo e multiplicam pelas horas do dia para ter a taxa produtiva.  Se na simplicidade de um equipamento manual, isso já é um problema, imaginem com tantos rolamentos e peças em movimentos constantes e sincronizados terminando em êmbolos ou cilindros de pressão complexos e cheios de delicados anéis de vedação, contenção, limpeza e pressão expostos a "casuais" rompimentos.

Caso queiram, podemos discutir esses assuntos abaixo na área de comentários.  Não sei tudo, e gostaria de debater com quem tem mais conhecimento que eu ou mais "experiência" !!!   Lembro que, mesmo que esse texto fique antigo, ainda recebo alertas por e-mail de que alguém aqui postou um comentário.
Agradeço a paciência pela longa leitura e espero ter ajudado em alguma coisa.  Busco sempre parceiros de boa fé.  Os de má fé eu dispenso.


Comentários

  1. Caro amigo Robson,
    Como tem passado? Li tanto o seu blog que o tenho como um velho conhecido. rsrsr.
    Sinceras e corajosas são as suas palavras. E serviram-me tanto como inspiração como de preocupação.
    Moro em Contagem/MG e comprei, recentemente, uma prensa hidráulica, um triturador e uma peneira elétrica. Paguei por tudo quase R$15.000,00 (comprei da empresa mecamig, de Governador Valadares - MG http://www.mecamig.com/). Ainda não comecei a produzir, mas pretendo começar em breve. Meus objetivos: 1) fabricar os tijolos para construir a minha casa; 2) Dando certo, começar a produzir para comercialização. Estava me sentindo seguro para começar a produzir, mas lendo seu blog comecei a ver a produção de tijolos com outros olhos. Por certo que quero produzir com qualidade, afinal será a minha casa e se for vender quero ter absorvido o melhor “como fazer”. Serei então, a cobaia de mim mesmo.
    Então surgiram as dúvidas e gostaria de trocar contigo algumas ideias, será que vc pode me ajudar?
    1) Dos equipamentos adquiridos pensei estar faltando a betoneira. Li em seu blog que para o solo-cimento melhor seria usar o triturador.
    a. Mas como faria o controle da umidificação do solo com o triturador, pensei que isso seria feito na betoneira?
    b. Em que etapa iria fazer a mistura da água ao solo?

    Depois de perguntar isso achei a resposta em um material da Sahara com o “Tio Jolo”, com os seguintes passos:
    • Recebida a terra, essa é passada no triturador e peneirada.
    • Espalha-se a terra no chão e é pulverizada água, misturando bem a massa, até atingir o ponto ideal, fazendo-se o teste da mão.
    • Após faz-se uma pré-mistura do cimento com a terra (proporção de 7 a 10 de solo por 1 de cimento).
    • Em seguida essa mistura é levada duas vezes ao triturador.
    • Feito isso a massa está pronta para ser levada à prensa. O “Tio Jolo” NÃO recomenda a mistura em betoneira.
    • Essa massa tem a validade de no máximo 1 hora (mesmo assim devendo ser verificada a umidade dela).
    Mas ainda estou encucado. Rsrs.
    A betoneira poderia ser usada para melhorar o processo? Assim eu teria um melhor controle nas quantidades de solo e cimento. Depois de misturar a terra com o cimento eu poderia passar novamente no triturador e peneira e daí partir para a prensagem.
    Ou realmente eu posso eliminar a betoneira desse processo?
    O que você acha?

    2) Vc conhece em Belo Horizonte empresa que poderia testar o tijolo quanto à sua resistência? Detestaria passar a situação vivenciada pelos meninos que tiveram um resultado de 0,45 MPA's
    3) E o problema da desconformidade do tamanho dos tijolos. Vc conseguiu superar esse problema? Acho que fui ingênuo em achar que uma massa sempre igual poderia manter o padrão.
    4) Como obter terra?
    a. Como encontrar fornecedor? Pode parecer entranha essa pergunta, mas ainda tenho essa dúvida.
    b. Tenho mesmo que usar saibro?
    c. Como testar de forma fácil a terra, para saber a quantidade de argila? Confiar no fornecedor?
    i. Achei esse método no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=8ZHRk9D52lI parte 1 e http://www.youtube.com/watch?v=JhP4FnaAsMg parte 2) mas o difícil foi encontrar essa peneira malha 200. O método pareceu bem eficiente.
    ii. Outro método que achei foi colocar a terra em um pote de vidro, com água. Agitar bem a mistura e esperar a decantação. Após, verifica-se como a composição foi separada e observa-se a proporção de areia e argila.
    iii. Por fim o método da caixa, encontrei na cartilha da Maquina Man. Esse me pareceu o mais fácil. http://www.man.com.br/man_2/img/bd4d45548818Layout_Producao_de_32_a_41_toneladas_hora.pdf (pagina 8).
    5) E quanto à cura?
    a. O melhor método é a imersão?
    b. A cura manual é eficiente?
    6) Vc já fez tijolo com resíduos da construção civil comum?
    7) O meu tijolo que não usei posso jogar no triturador e recomeçar o processo com ele?

    Então, podemos debater esses assuntos.

    Grato

    Carlos Magno




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